Amigos e
familiares:
Não sei qual o endereço eletrónico do nosso Primeiro, mas, se
alguém souber é interessante que lhe envie esta opinião do Dr. António
Caetano que, apesar de ser quem é, sempre bateu o pé, desde o tempo
"da outra senhora".
Encaminho como
recebi.
AMIGOS LEIAM ESTE ARTIGO DO DR. ALVES CAETANO, É UMA ANÁLISE
MUITO BEM FEITA E SEM FALÁCIA SOBRE OS DIREITOS DOS PENSIONISTAS.
Meus Amigos,
Tive no 1º ano de Económicas um professor de Geografia Económica que nos
abriu os olhos para a realidade do país, nesses longínquos anos 1963/64.
Naquela época era nitidamente de esquerda, considerando os padrões
de então. E tinha outros aspectos curiosos – tinha sido um excelente aluno
(condição indispensável, então, para se ser assistente); tinha casado com
uma aluna e estava bem empregado (mais tarde, haveria de sair
da Siderurgia Nacional em conflito com o Secretário Geral, Spínola
de seu nome, arrastando para o desemprego um colega, por
solidariedade, que acabava de ser pai. Esse colega haveria de ser meu
administrador no BFN e o filho é o principal partner fiscalista da
Deloitte. Mas voltando ao meu assistente. Mais tarde foi presidente da
COSEC, andou pelo Brasil no tempo revolucionário e já em tempos
democráticos foi presidente da Fidelidade.
Em Económicas inquiríamos como uma pessoa de esquerda (haveria de
ser vetado para fazer doutoramento) era irmão de quem era. Pois a pessoa em
causa chama-se António Alves Caetano, irmão do Marcelo…
Enviou-me hoje um artigo seu sobre as pensões que me deu autorização para
divulgar, sem anonimato.
Com um abraço, aqui vai ele.
MCR
Estimados Amigos,
Como os jornais não publicam as cartas que lhes remeto e preciso
de desabafar, recorro aos meus correspondentes "Internéticos",
todos os amigos que constam da minha lista de endereços. Ainda que alguns
não liguem ao que escrevo.
Não sei a que se refere o Senhor Primeiro-Ministro quando afirma ser
a penalização fiscal dos pensionistas resultante de todos aqueles
que, em Portugal, "descontaram para ter reformas, mas não para terem
estas reformas".
Pela fala do Senhor Primeiro-Ministro fica-se a saber da existência
de pensões de aposentadoria que estão acima daquilo que resultaria
da correcta aplicação do Cálculo Actuarial aos descontos que fizeram.
Sendo assim - e não há razões para admitir que o Senhor Primeiro-Ministro
não sabe o que diz - estamos perante situações de corrupção. Porque o
Centro Nacional de Pensões e a Caixa Geral de Aposentações só podem
atribuir pensões que resultem da estricta aplicação daqueles princípios
actuariais aos descontos feitos por cada cidadão, em conformidade com as
normas legais.
Portanto, o Estado tem condições de identificar cada uma dessas sirtuações
e de sancioná-las, em conformidade com a legislação de um Estado de
Direito, como tem de sancionar os agentes prevaricadores, que atribuíram
pensões excessivas.
Mas, é completamente diferente a situação face aos cidadãos que celebraram
contratos com o Estado. Esse contrato consistia em que, ano após ano, e
por catorze vezes em cada ano, o cidadão entregava ao Estado uma quota das
suas poupanças, para que o mesmo Estado, ao fim dos quarenta anos de
desconto lhe devolvesse essa massa de poupança em parcelas mensais,
havendo dois meses em que era a dobrar, como acontecera com os descontos.
E tem de ser assim durante o tempo em que o cidadão estiver vivo e,
em parte mais reduzida, mas tirada, ainda, da mesma massa de
poupança individual, enquanto houver cônjuge sobrevivo.
E esta pensão tem o valor que o Estado, em determinado momento, comunicou
ao cidadão que passava a receber. Não tem o valor que o cidadão tivesse
querido atribuir-lhe.
Portanto, o Estado Português, pessoa de bem, que sempre foi tido
como modelo de virtudes, exemplar no comportamento, tem de continuar
a honrar esse estatuto.
Para agradar a quem quer que seja que lhe emprestou dinheiro para fazer
despesas faraónicas, que permitiram fazer inumeráveis fortunas e deram aos
políticos que assim se comportaram votos que os aconchegaram no poder, o Estado
Português não pode deixar de honrar os compromissos assumidos com esses
cidadãos que, na mais completa confiança, lhe confiaram as suas poupanças
e orientaram a sua vida para viver com a pensão que o Estado calculou ser a
devida.
As pensões que correspondem aos descontos que cada qual fez durante a vida
activa nunca poderão ser consideradas excessivas. Esses Pensionistas têm
de merecer o maior respeito do Estado. Têm as pensões que podem ter, não
aquelas que resultariam do seu arbítrio.
E é este o raciocínio de pessoas honestas. Esperam que o Estado
sempre lhes entregue aquilo que corresponde à pensão que em
determinado momento esse mesmo Estado, sem ser coagido, lhes comunicou
passariam a receber na sua nova condição de desligados do serviço activo. Ou
seja, a partir do momento em que era suposto não mais poderem angariar
outro meio de sustento que não fosse a devolução, em fatias mensais, do
que haviam confiado ao Estado para esse efeito.
Os prevaricadores têm de ser punidos, onde quer que se situem
todos quantos permitiram que, quem quer que seja, auferisse
pensão desproporcionada aos descontos feitos, ou mesmo, quem sabe,
sem descontos. Sem esquecer, claro está, os beneficiários da falcatrua.
Mas, é impensável num Estado de Direito que, a pretexto dessas situações
de extrema irregularidade, vão ser atingidos, a eito, todos aqueles que,
do que tiraram do seu bolso durante a vida activa, recebem do Estado a
pensão que esse mesmo Estado declarou ser-lhes devida.
Como é inadmissível que políticos a receberem ordenado de função, acrescido
de benesses de vária ordem proporcionadas por essa mesma função,
considerem que pensões obtidas regularmente, com valores mensais da ordem
de 1.350 Euros proporcionam vida de luxo que tem de ser tributada,
extraordinariamente.
António Alves Caetano